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Arquitetura

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Um criativo é feito do quê?


07 de agosto de 2015
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Existem palavras que definem uma profissão. São pedaços de vocabulário inevitavelmente associados pelo próprio profissional, coisas que só quem vive aquilo no dia-a-dia reconhece. São coisas particulares, mas que podem cair no gosto e na boca de um grupo cada vez maior. Normalmente essas palavras pouco têm a ver com aquelas outras, que formam o lugar-comum dos consumidores, criando um estereótipo pouco fiel de qualquer carreira. Creio que falo por todos os criativos, em especial aos arquitetos e designers, quando digo que nós vivemos um desses grandes mal-entendidos.

COPYRIGHT © 2010 PEP CARRIÓ

COPYRIGHT © 2010 PEP CARRIÓ

Deixe-me esclarecer com um exemplo: pense nos artistas hollywoodianos e nas palavras que você associa a eles. Provavelmente terão algo a ver com dinheiro, alta-costura, tapetes vermelhos e capas de revista. Claro que tudo isso é verídico, mas os outros 90% da rotina deles – ensaios exaustivos, viagens constantes, coletivas de imprensa, a perda da privacidade – ficam perdidos entre os conceitos rasos que temos dessas figuras. Perdoem-me pela falta de humildade na escolha do exemplo, afinal não temos muito em comum com as icônicas estrelas de cinema. Mas algo que compartilhamos (além da alta-costura, claro) é o estigma do julgamento fantasioso por parte da sociedade.

A questão é que o mundo lá fora vê em nossos trabalhos um dom divino, criatividade que flui de fontes inesgotáveis e místicas. Quem nunca se viu cercado por amigos e familiares pedindo por uma “ideia rápida“, só um “projetinho“? Eu conheço sua dor, colega.

Criatividade - Como é ser criativo?

Fonte: emlii.com

A verdade é que nossa inspiração, dom ou magia (vai saber!), não seria nada sem as outras palavras que realmente nos definem: perfeccionismo, insônia, cafeína, AutoCAD, alterações… E uma palavra que, pelo menos para mim, sempre será o grande fundamento profissional: a referência. Minha relação com essa palavra começou quando passei a trabalhar junto ao designer Roberto Silva, do escritório Casa de Projetos, ele próprio é uma referência para mim.

Lembro de sentar com ele na minha primeira semana na Casa de Projetos e ser questionado, sem mais nem menos, sobre meus cinco arquitetos e designers favoritos, brasileiros ou não. Eu empaquei. Busquei na minha mente e só me vinham nomes comuns ao grande público. “Oscar Niemeyer, Le Corbusier… Marcelo Rosenbaum?”, arrisquei com uma semi interrogação ao fim da frase, após um silencio embaraçoso de cinco ou dez minutos. Lembro que Roberto suspirou e, pacientemente, me desafiou a pesquisar alguns nomes: Débora Aguiar, Fernanda Marques, Márcio Kogan, só para começar. Lembro-me do quanto fiquei impressionado (e envergonhado) ao perceber que algumas obras já me eram familiares, que eu já visitara pessoalmente um ou dois espaços assinados por esses profissionais em alguma Casa Cor da vida. E nunca me dera o trabalho de pesquisar mais a fundo, mergulhar nessas fontes de inspiração!

Criatividade - Como é ser criativo?

Fonte: emlii.com

E assim eu descobri que bons trabalhos só são bons se buscam fundamento, ou até mesmo confirmação, nos trabalhos bem-sucedidos de outros. Um projeto inovador é, no fim, produto de um banco de dados inerente ao criativo, que precisa estar em constante expansão; somado a novas soluções e um bom-senso ao juntar todos esses pedaços de tecido projetual, formamos algo como uma bela colcha de retalhos, coesa, bem costurada, cheia de história e vida. Então um criativo não é feito de “projetinhos” ou ideias, afinal. “Ideia não é projeto”, como Roberto costuma dizer, “não me venha com ideias. Quero saber os problemas que precisamos resolver, e quero boas referências que nos inspirem. E quero um café. Tu queres um também?”

Café - Ideias, inspiração, brainstorming.

Fonte: joshestrin.com

Bom, esse é o começo da minha atividade aqui no blog, e a primeira de uma série de postagens sobre referências. Nas próximas semanas eu trarei deliciosas peças sobre as grandes referências da arquitetura e design brasileiro contemporâneo, na minha concepção. Tentarei ilustrar tudo com muitas imagens, para você que está aqui pelas gravuras (ei, eu não te julgo! Quem nunca?), e as descrições apaixonadas do mais devoto consumidor do “jogo sábio, correto e magnífico dos volumes sob a luz”. Terei um artigo novo toda semana, expondo um profissional de cada vez. Espero que vocês amem, eu sei que eu vou amar escrever!

Então comente, compartilhe e volte sempre aqui no blog para mais matérias incríveis de todos os colaboradores!


Lucas Passos, 24 anos, designer de interiores militante, acadêmico em Arquitetura e Urbanismo, amante de longas caminhadas na praia, viciado em arte, cultura pop, tendências e comportamento. Aliás, esqueça as longas caminhadas na praia.

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